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Percurso de sucesso

Percurso de sucesso

No início deste mês, a Pró-reitoria de Graduação (Prograd) reuniu professores recém-chegados à UFMG para apresentar sua estrutura e as iniciativas que visam ao aprimoramento do trabalho docente no ensino de graduação. Um dos destaques do encontro foram as atividades coordenadas pela Diretoria de Inovação e Metodologias de Ensino, mais conhecida como GIZ, estrutura física e administrativa de caráter permanente para suporte a professores.

Criado em 2008, para apoiar a adesão da UFMG ao Reuni, programa de reestruturação e expansão das universidades federais, o GIZ é uma das poucas estruturas do gênero no país e certamente a mais longeva. A Diretoria oferece formação sistemática e continuada, assessorando os docentes na organização de disciplinas e no desenvolvimento de projetos de curso e de ensino em laboratórios, entre outros.

“Trabalhamos em prol de uma rede de desenvolvimento de práticas educativas, e nossas ações têm a finalidade de promover formação com os professores, envolvendo-os em um processo interativo-reflexivo”, afirma a professora Maria José Flores, diretora do GIZ há 18 meses, enfatizando a participação ativa dos docentes e pós-graduandos em todos os processos. “A atuação da Diretoria preza pela perspectiva inovadora, colaborativa e contextualizada, em busca de práticas flexíveis e personalizadas, em todas as áreas do conhecimento”, ela continua.

Teoria, prática e contexto

A cada ano, no início do primeiro semestre, o GIZ abre os Percursos Formativos em Docência do Ensino Superior, por meio dos quais oferece repertório em forma de conhecimentos teóricos e contextuais de práticas pedagógicas. Em encontros, oficinas e debates, os professores se apropriam de ferramentas capazes de aperfeiçoar a abordagem dos processos de ensino-aprendizagem – metodologias de avaliação, mapas conceituais, produção de recursos pedagógicos, ambientes virtuais, softwares, procedimentos de registro e planejamento.

“Um objetivo central do Percurso Docente é promover o compartilhamento de experiências e práticas, que se dá, sobretudo, em oficinas, nas interações virtuais e presenciais, como no seminário final, quando são discutidos os planos de intervenção pedagógica produzidos durante os percursos”, explica Maria Flores, que é professora da Faculdade de Educação.

O compartilhamento é também uma das diretrizes do Congresso de Inovação e Metodologias de Ensino Superior e Tecnológico (CIM). Aberto a público amplo, o evento é estruturado em grupos de colaboração, conferências, debates, oficinas e minicursos. “Os trabalhos são escolhidos e apresentados como em qualquer outro encontro acadêmico, mas há diferenças cruciais: a comissão que avalia e seleciona também propõe a forma de apresentação, e os participantes são induzidos a ler previamente trabalhos de colegas, o que provê mais subsídios para as discussões”, comenta Maria Flores. Em 2019, a UFMG recebeu participantes de 40 instituições de ensino.

Em encontros, oficinas e debates, os professores se apropriam de ferramentas capazes de aperfeiçoar a abordagem dos processos de ensino-aprendizagem – metodologias de avaliação, mapas conceituais, produção de recursos pedagógicos, ambientes virtuais, softwares, procedimentos de registro e planejamento.

Neste ano, o Congresso – que terá como temática global inclusão e permanência e será sediado pela Universidade Federal de Lavras (Ufla), de 28 a 30 de abril – é organizado pela primeira vez por um consórcio de instituições: além da UFMG, participam as universidades federais de Lavras, Ouro Preto, dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, de Catalão (GO), os institutos federais de Minas Gerais (campus Ouro Preto) e do Norte de Minas. Representantes de todas essas instituições reúnem-se quinzenalmente em grupos de trabalho para a construção do evento interinstitucional, e a experiência, destaca a diretora do GIZ, constitui “rico processo de formação envolvendo professores e técnicos”.

Orientação e acompanhamento

O GIZ também edita, em fluxo contínuo, a Revista Docência do Ensino Superior, veículo de sistematização e divulgação de práticas pedagógicas no ensino superior. A publicação, contemplada pelo Qualis Capes desde 2012, é única no Brasil, ao servir à reflexão sobre o ensino em todos os campos do conhecimento.

Entre as atividades contínuas coordenadas pela diretoria da Prograd, está a assessoria pedagógica prestada a estudantes, professores e técnicos, que são acolhidos, orientados e acompanhados em situações cotidianas do ensino de graduação. As demandas devem ser encaminhadas por e-mail (giz-contato@prograd.ufmg.br) ou por telefone (3409-6451 e 3409-4051).

Disciplina-modelo

Um dos casos que atestam o sucesso da atuação do GIZ é o da disciplina Estágio Didático, do Programa de Pós-graduação em Biologia Celular. Criada há dez anos, a disciplina tem sido cada vez mais procurada pelos alunos – 35% deles, em média, passam pelo curso. Segundo a professora Cleida Oliveira, a equipe do GIZ é responsável por duas aulas por semestre e fornece teorias, modelos de aula e ferramentas.

“Muitos estudantes inscrevem-se mesmo não sendo uma exigência da grade do curso. Percebemos alto índice de sucesso dos nossos egressos em concursos para docência e somos procurados por outros programas, em busca de um modelo para iniciativas similares”, revela Cleida, acrescentando que os alunos se sentem seguros ao estabelecer vínculo com professores da Faculdade de Educação, por intermédio do GIZ. Neste primeiro semestre de 2020, são 32 alunos matriculados.

(Itamar Rigueira Jr - Portal da UFMG)

Foto: Foca Lisboa/UFMG