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Nova pró-reitora da graduação fala sobre os desafios da gestão

A professora Antônia Vitória Soares Aranha é a nova pró-reitora de graduação da UFMG. Formada em Química pela UFMG, fez mestrado na Faculdade de Educação, foi professora nesta mesma faculdade, onde coordenou o cenex, foi vice-diretora e diretora. É membro do programa de pós-graduação da FAE e membro e uma das fundadoras no Núcleo de Estudos e Trabalho em Educação. Nesta entrevista, ela fala sobre a reestruturação da Prograd e as metas da gestão.

O que significou, para você, a entrada para a Prograd?

Entendo que essa escolha não é, simplesmente, fruto de qualquer relação pessoal ou do acertado apoio à chapa vencedora da Reitoria. Acho que isso é mais secundário. Minha vinda para a Prograd se deve ao reconhecimento de um trabalho à frente da Faculdade de Educação. Um trabalho que não só eu, mas que toda a Faculdade de Educação fez durante esses últimos anos em termos de ampliação, inclusão, garantia de excelência na pós-graduação e na graduação, em primeiro lugar. É evidente que, para mim, é uma grande satisfação pessoal e um desafio que vou enfrentar com responsabilidade, espírito institucional e procurarei ter muita sabedoria.

Vai haver uma reestruturação na Prograd, como vai funcionar?

A reestruturação se deve ao crescimento dos cursos de graduação. Tínhamos 49 cursos em 2008 e, atualmente, são 75. Houve uma ampliação de 4714 vagas para 6600 vagas, ou seja, um aumento de 40% . Sendo assim, a Prograd precisa estar mais amparada e, para isso, será organizada em quatro coordenadorias: a acadêmica, a de inovação, a de mobilidade, estágio e bolsas e a de educação à distância, além da COPEVE, cuja presidência do conselho acadêmico é da Prograd. .

A coordenadoria acadêmica tem o objetivo de avaliar as cursos. Num primeiro momento, serão avaliados os novos cursos, advindos do reuni, se estão de acordo com as normas, com as deliberações da câmara de graduação. Também serão avaliados os cursos mais antigos. Neste caso, em relação à mobilidade, à flexibilidade e às atividades complementares.

A coordenadoria de inovação tem uma dimensão pedagógica, ou seja, de formação dos professores, das equipes pedagógicas e dos nossos alunos de pós-graduação que terão alguma atividade docente para lidar com as novas metodologias e tecnologias. Essa inovação é entendida, também, em termos de aquisição e implementação de novas tecnologias comunicacionais e informacionais para que possamos ampliar e diversificar o leque de atendimento, além de melhorar ainda mais a nossa graduação.

A coordenadoria de mobilidade, estágio e bolsas cuidará da mobilidade, que é a possibilidade dos estudantes freqüentarem outras universidades no país, além da UFMG e, também, do programa de bolsas da Prograd, que é bem significativo. Com o Reuni, a deliberação dos critérios de seleção são feitas pelos programas de pós-graduação em conjunto com os colegiados e departamentos dos cursos, mas esses alunos e mesmo professores de pós-graduação, pós-doutores e professores visitantes, terão uma atividade de docência cujo pagamento será complementado pela Prograd. Ou seja, vamos ter que trabalhar em sintonia fina com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e temos, também, a atribuição de acompanhar esses bolsistas do Reuni, que serão aproximadamente 700 até 2012. Isso implica, em atuação conjunta com as outras coordenadorias, na formação dessas equipes, que incluem professores, bolsistas, para o desenvolvimento do trabalho docente, do trabalho pedagógico nos diversos cursos.

A coordenadoria de educação a distância engloba o CAED, nosso centro de educação à distância, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) e outra atividade que nós julgamos fundamental que é o diálogo, a relação entre cursos presenciais e à distância. Os cursos presenciais podem ter uma parte à distância sem perder a qualidade, flexibilizando ainda mais os cursos. Tem disciplinas, libras por exemplo, que precisarão ser ministradas para um volume imenso de alunos de graduação, então precisamos estar capacitados a oferecer esse tipo de atendimento.

Estamos tentando agilizar, implementar essa estrutura o mais rápido possível para fazer frente aos desafios . Felizmente a universidade cresceu, ampliou, tem mais cursos e implementou os cursos noturnos e o bônus, acho que isso é muito positivo.

Quais são as metas para a Prograd?

São muitas, temos muitos desafios. Primeiro, com relação aos novos cursos de graduação que precisarão ser analisados, verificados segundo as recomendações da câmara de graduação, adaptados às normas da universidade.

Temos também o GIZ, que tem sido um sucesso em termos de formação e capacitação docente. Então, nos interessa fortalecer, consolidar, ampliar a estrutura do GIZ para ampliar essa formação, seja trabalhando com os docentes propriamente ditos, seja com os alunos de pós-graduação que estão se integrando nas equipes pedagógicas. Quero abrir um parênteses para dizer o seguinte: esses alunos não substituem o professor. Eles podem ajudar na questão da docência, mas não substituem o professor. De qualquer forma, é preciso que tenham uma formação compatível com a atividade que vão desenvolver.

Outro desafio são os Centros de Atividades Didáticas (CADs) que estão sendo construídos e estarão ligados à Prograd. É preciso que tenham uma infra-estrutura tecnológica e de pessoal compatível com o volume de demanda que terão.

Há também, a questão da Educação à Distância. Temos acúmulo suficiente em termos de pessoal, de experiência, de infra-estrutura, para sermos uma referência de educação à distância no país.

As licenciaturas também são um desafio. O MEC tem investido imensamente na questão da formação docente. As instituições públicas de ensino superior estão sendo chamadas para fazer parte disso. Temos que avaliar nossa formação docente para os professores de educação básica. Claro que sabemos que só a formação não resolve a questão da educação básica. É preciso avançar com a questão da carreira docente, tornar a profissão atrativa. Para isso é necessário, também, discutir a questão salarial e da estrutura das escolas. Na parte que nos cabe, a formação docente, pretendemos enfrentar esse desafio, inclusive reestruturando o colegiado especial de licenciatura, aprovado recentemente no conselho universitário.