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Em meio a percalços, estudantes relatam avanços em suas experiências com o ensino remoto

Os desafios, percalços e avanços identificados por estudantes em suas experiências com o ensino remoto emergencial foram relatados na décima edição dos fóruns on-line do Programa Integração Docente, realizada nesta quarta-feira, 30 de setembro. O evento contou com a participação de discentes de diferentes percursos na UFMG, como a doutoranda em Biologia Celular Tereza Fontes Cal, que desenvolve estágio docente, o estudante Erick Xakriabá, do curso de Odontologia, e a coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Luiza Datas, que fez uma avaliação do programa de inclusão digital da UFMG.

 “Esses fóruns têm sido um momento de renovação das nossas esperanças, de construção de novas parcerias, de entender que trabalhar de forma colaborativa, de forma solidária, com empatia, deve ser mais do que um discurso”, afirmou a pró-reitora de Graduação Benigna de Oliveira, na abertura do evento.

A edição de ontem marcou o ingresso da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis no Programa Integração Docente. A intenção da UFMG é aprimorar o processo de acolhimento discente no contexto do ensino remoto emergencial. “Este momento inaugura a primeira das ações que estamos propondo para acompanhar e para estar juntos e juntas dos estudantes, que são os sujeitos do processo educativo. A Universidade só existe quando existe quem quer estar nela. Vocês são as protagonistas e os protagonistas do nosso trabalho”, afirmou a professora Licínia Correa, pró-reitora adjunta de Assuntos Estudantis.

A caminho da docência

Tereza Fontes Cal, doutoranda em Biologia Celular que desenvolve, no ICB, estágio docente na disciplina Citologia e histologia aplicadas à Enfermagem, relatou sua experiência no processo de formação docente, que envolve atributos como a comunicação com seu público, a colaboração professor-estudante, o estímulo para que essa colaboração também se dê entre os discentes e a responsabilidade com o conteúdo. “No contexto da pandemia, essas características precisam ser aprimoradas”, defendeu ela, ao mencionar os esforços feitos para que a disciplina fosse transposta para o universo remoto sem perda de qualidade.

A graduanda do curso de Odontologia Júlia Rabelo, que atua como monitora de disciplinas ofertadas no âmbito Departamento de Odontologia Social e Preventiva, afirmou que ela e seus colegas ainda estão se adaptando a esse universo, marcado por dificuldades e “distrações”, como telefone, televisão e a própria convivência familiar.  “Ainda assim, a experiência nas disciplinas em que estou matriculada tem sido positiva. Os professores tentam dar aulas síncronas e assíncronas com, no máximo, uma hora, o que ajuda a manter a concentração”, contou. 

Em relação à monitoria, Júlia explicou que, mesmo atuando em disciplinas totalmente teóricas, também ajudava na clínica. Isso exigiu uma reorganização do trabalho por meio do contato constante com os professores orientadores, de ajustes na rotina de trabalho e da geração de novos produtos com base nessa experiência.

Inclusão digital

Entidade representativa dos discentes, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) acompanhou de perto o planejamento do ensino remoto na UFMG e promoveu reflexões sobre inclusão digital.  “Ficamos felizes com o processo de inclusão digital da UFMG. Mesmo com todos os percalços, foi concluído e revelou-se bem-sucedido. É, sim, uma das melhores experiências do país até agora”, avaliou a coordenadora geral, Luiza Datas, estudante do curso de Letras. “Mantemos contato permanente com várias universidades do país e poucas fazem o que a UFMG tem feito pelos estudantes em relação à inclusão digital e assistência estudantil”, disse ela. No entanto, ela ressaltou que o processo poderia ter ocorrido de forma mais célere.

Em relação ao ensino remoto, Datas contou que recebeu relatos positivos, como os de estudantes que conseguiram organizar melhor suas rotinas de estudo, e negativos, especialmente de calouros, que sentem falta de atividades síncronas.  Ela também recebeu queixas de estudantes relacionadas ao descumprimento das resoluções do ensino remoto, que resultaram em sobrecarga de atividades, avaliações-surpresa e cobrança de frequência. “É preciso considerar a diversidade dos estudantes e que algumas dessas atitudes podem gerar ansiedade”, ponderou ela. Para recolher esses relatos, o DCE instituiu uma ouvidoria.

Sentido da universidade

 Erick Xakriabá é aluno do curso de Odontologia e representa os estudantes indígenas da Universidade. Sua apresentação foi introduzida por uma oração para fortalecer o espírito e a força com os antepassados. Erick listou pontos negativos do ensino remoto – a dificuldade de acesso e de adaptação às tecnologias, a falta da convivência presencial e de materiais para acessar as aulas e determinados conteúdos – e positivos, como o apoio da UFMG para viabilizar a conectividade dos grupos indígenas e a própria disposição para ouvir as suas experiências durante a pandemia.

“Permanecer na Universidade é de grande importância para nós, porque representa uma arma de luta diante de tudo que estamos vivenciando”, disse ele, antes de finalizar com uma reflexão sobre o sentido da Universidade. “Então, a Universidade é o quê? Eu deixo algumas palavras: é inclusão, equidade e, principalmente, diversidade”, resumiu Erick.

(Assessoria de Comunicação da Prograd e Cedecom)