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Semana de Saúde Mental da UFMG debate possibilidades de existência e de inclusão de corpos “travestigeneres”

Publicado em: 21-05-2020

Painel apresentado durante a Semana dá relevo a personalidades LGBTQ+ que se dedicam à saúde mental 

“Travestigeneres” é um termo cunhado pela travesti e ativista Indianara Siqueira para incluir e identificar pessoas trans, travestis e não-binárias. Essa definição foi apresentada pelo estudante Raul Capistrano, no painel “Corpos travestigeneres que promovem saúde mental”, realizado on-line no dia 19 de maio. 

Capistrano é graduado em Filosofia pela UFMG e atualmente é co-coordenador do Trans-Enem-BH – cursinho preparatório dedicado à formação de pessoas trans. Há cerca de 10 anos, ele passou pelo processo da transição de gênero e, hoje, indica as pessoas que foram importantes para sua saúde mental e de outras milhares de pessoas travestigeneres. 

“Meu objetivo é mostrar pessoas trans que, por meio de seus trabalhos, obras e iniciativas, promoveram a autoestima de outras pessoas trans. O que é importante, principalmente, para aqueles que só conseguem perceber a possibilidade de existência em si ao enxergar a semelhança no outro”, afirma.  

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Print da apresentação de Raul, o qual mostra integrantes do coletivo TransLiterária, cujo João Maria Kaisen faz parte.

Nessa perspectiva, Raul exibiu a vida e as ações do transsexual João Nery, da travesti Indianara Siqueira, do não-binário João Maria Kaisen e da transsexual Duda Salabert. A apresentação se deu por meio de imagens; vídeos de entrevistas, discursos e trechos de filmes, além de depoimentos escritos e indicações culturais do próprio Raul.  

O painel é apresentado sob um fio condutor pessoal, que tem como ponto de partida João Nery. Raul Capistrano explica que se viu em cada uma dessas personalidades. “O João e a Indianara, através de suas figuras, mostram que é possível existir. O João Maria vem para mostrar que há diversidade dentro de tudo isso e, por fim, a Duda revela a possibilidade de os corpos travestigeneres ocuparem qualquer espaço, até os improváveis”, reitera Capistrano.  

Filme Eu, um outro 

filme

Raul Capistrano em uma das cenas do documentário "Eu, um outro", dirigido por Sílvia

Raul Capistrano é um dos protagonistas do documentário “Eu, um outro”, da diretora Sílvia Godinho. O longa, lançado no Oufest Fusion 2020 - um dos maiores festivais de filmes LGBTQI+ dos Estados Unidos – conta sobre a vida de três homens transgêneros de Belo Horizonte.  

“Particularmente, o filme acentua o ambiente que esses seres querem viver. Porque, depois que você aparece, depois que você deslumbra, busca e acontece, você quer mais”, explica Raul.  

O filme já foi exibido no 52º Festival de Brasília e no 27º Festival Mix Brasil. Acompanhe as próximas exibições no Facebook.

"Invisibilizados"

Além da temática da transexualidade, os eventos da 8ª Semana de Saúde Mental e Inclusão Social focalizam questões que expõem e debatem a situação das mulheres e das mulheres negras, população em situação de rua, populações atingidas por desastres socioambientais, saúde psíquica na crise e políticas de saúde pós-pandemia. As atividades podem ser acompanhadas nos endereços eletrônicos disponíveis na programação completa do evento.

Texto: Joice Lopes/Assessoria de Comunicação Proex

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