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Impactos e incertezas pós-pandemia desafiam a atenção à saúde mental em Belo Horizonte

Publicado em: 20-05-2020

Impactos da pandemia e perspectivas da rede psicossocial foram abordados em ‘live’ da Semana de Saúde Mental da UFMG

Live Atenção Psicossocial

Envolvidos com o cuidado em saúde mental debateram os impactos da pandemia e desafios da rede

Os efeitos da pandemia na rede de atenção psicossocial de Belo Horizonte foram discutidos durante a Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG. Atualmente, grande parte dos atendimentos aos usuários da rede estão sendo oferecidos a distância no município, realidade que tem desafiado trabalhadores da saúde, gestores e especialistas.    

Segundo o gerente de Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, Fernando de Siqueira Ribeiro, o combate à desassistência aos pacientes tem sido um dos principais desafios. “Os impactos da pandemia à rede de assistência foram grandes. Estamos buscando contornar eventuais casos de desassistência a pacientes, uma vez que grande parte dos serviços não estão funcionando com a mesma potencialidade de tempos normais”, afirma Ribeiro.

Essas reflexões foram discutidas na terça-feira (19/05) em “live” promovida no Facebook pelo Laboratório de Grupos, Instituições e Redes Sociais (L@GIR), grupo de pesquisa e extensão vinculado ao Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFMG. O evento contou com a participação de diferentes protagonistas envolvidos com o cuidado em saúde mental. O encontro aconteceu dentro da programação da Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG.

SUS e protagonismo

Durante o debate, a vice-presidente da Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais (Asussam) e do Fórum Mineiro de Saúde Mental (FMSM), Laura Fusaro Camey, destacou que a construção de alternativas deve levar em consideração a perspectiva do usuário. “A luta antimanicomial é uma luta por delicadeza. Em geral, os usuários querem também uma atenção individualizada para o seu caso”, afirma Laura, que chama à atenção para a importância da preparação da área para outras realidades epidemiológicas”.   

Live atenção psicossocial (5)

Segundo Laura Fusaro, “luta antimanicomial é uma luta por delicadeza”

A tendência no aumento dos transtornos psíquicos também tem sido objeto de preocupação. A professora do departamento de Psicologia da UFMG, Cláudia Penido, destacou que o contexto brasileiro apresenta agravantes. “Nosso cenário de enfretamento à pandemia se difere de outros países em razão do histórico de desigualdades e instabilidades econômicas”, observa.     

Para a psicóloga de equipe de saúde mental da Atenção Básica de Belo Horizonte e do Cersam-Ad Pampulha/Venda Nova, Vanessa Isabel Fileto, a Covid-19 veio mostrar a importância da reinvenção dos processos de trabalhos. “Somos impelidos hoje a buscar saídas para promovermos as políticas de cuidado à saúde para além da saúde física, de acordo com as recomendações sanitárias necessárias”, avalia.

A psicóloga acrescenta que as ações atuais devem atuar “para não agudizar problemas e fatores de exclusão". Para tanto, Vanessa considera que “serão essenciais os esforços coletivos, as articulações intersetoriais e o fortalecimento do SUS como política de saúde pública”.

O encontro contou ainda com a participação da psicóloga do Cersam-Pampulha e membro do Colegiado de Saúde Mental da Pampulha, Carolina de Sena Sousa, e teve a mediação da mestranda em Psicologia na UFMG, Júlia Oliveira. A live está disponível na página do Facebook do Laboratório de Grupos, Instituições e Redes Sociais (L@GIR). 

Para saber mais sobre a programação da 8ª Semana de Saúde Mental e Inclusão Social, clique aqui. 

AV. Antônio Carlos, 6627 - Pampulha - prédio da Reitoria, 6° andar - Belo Horizonte - MG/CEP 31270-901