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Projeto da Medicina transforma crianças com câncer em super-heróis

Quem vê a alegria de Sophia Oliveira, de dez anos, não imagina os momentos difíceis que já passou. Após sentir fortes dores na perna esquerda, em junho, veio o diagnóstico de um tumor na tíbia, e por causa da agressividade do tumor, foi necessária a amputação da perna. “Ela recebeu a notícia muito bem. É forte, é guerreira, tem muita vontade de viver e não desistiu dos sonhos dela”, lembrou Keila Teixeira, mãe de Sophia.

E Sophia, que também é bailarina, realizou um dos seus sonhos, o de se vestir de super-herói e tirar fotos como uma modelo. Na última segunda-feira, 23, pacientes onco-hematológicos pediátricos do Hospital das Clínicas (HC-UFMG) participaram de um ensaio fotográfico fantasiados de super-heróis. “Foi muito especial para mim”, comentou Sophia, fantasiada de Violeta, dos Incríveis.

A ideia do projeto SuperAção foi da equipe do eixo Qualidade de vida e diagnóstico precoce do câncer na infância e na adolescência, do programa de extensão ObservaPED, da Faculdade de Medicina da UFMG. O encontro foi uma forma lúdica de trabalhar com o resgate da coragem e autoconfiança desses super-heróis, além de trazer mais alegria para crianças e adolescentes que passam pelo hospital durante o tratamento.

Sem título

As crianças foram escolhidas por sorteio, entre as que estavam em tratamento no HC, e cada uma delas escolheu o super-herói favorito para o dia das fotos. De acordo com a professora Karla Rodrigues, do Departamento de Pediatria, toda a equipe ficou muito ansiosa. “A gente sabe das histórias deles, de sofrimento, de luta. Quando os vemos ali, sorrindo, se achando super-heróis, você vê como valeu”, comentou. A intenção é realizar as fotos todos os anos.

Dezenove crianças e adolescentes, entre dois e 17 anos de idade, participaram da sessão de fotos. Davi Resende, de três anos, o pequeno Super-Homem, adorou a sensação de poder “voar” durante o ensaio fotográfico. Em tratamento há pouco menos de três meses, Davi foi diagnosticado com leucemia, tipo de câncer que se inicia na medula óssea. A mãe, Aline Resende, percebeu a falta de interesse do garoto em brincadeiras. Ele estava pálido, reclamava de dores nas pernas e não tinha apetite. Aline aprovou a ideia das fantasias. “Traz um pouco de alegria, as crianças saem um pouco da rotina de exames, consultas, medicação”, disse.

Após acordar com o olho inchado, Viviane Alves, mãe de Yasmin Alves, de seis anos, achou que pudesse ser a picada de um bicho ou uma conjuntivite. Após alguns exames, foi descoberto o rabdomiossarcoma, um tumor atrás do olho. Viviane contou que a filha ficou muito entusiasmada e ansiosa com o dia da sessão de fotos. “Foi bom, eu gostei muito”, comentou Yasmin, a 'Capitã' América.

Colaboradores

A realização do projeto SuperAção incluiu diversos colaboradores, entre profissionais voluntários e membros da comunidade da UFMG. Um restaurante nos Estados Unidos, o Aroma Brazil Restaurant, foi o responsável pela doação de todas as fantasias. Além disso, 19 padrinhos, que não conhecem as crianças, vão custear a impressão das fotos para a exposição.

Alguns dos colaboradores são o fotógrafo W. Gontijo, a designer Renata Gontijo, a estilista Patrícia Nascimento e equipe de 40 pessoas, o maquiador Marcus Martinelli e equipe de oito profissionais.

Câncer infantojuvenil

De acordo com a professora Karla Rodrigues, o Hospital das Clínicas da UFMG recebe, em média, 120 novos casos de câncer infantojuvenil por ano. Os casos mais comuns são as leucemias agudas, seguidas dos tumores do sistema nervoso central. No Hospital, há também um grande número de casos de tumores ósseos, já que o HC é referência de ortopedia oncológica.

O câncer é a primeira causa de morte por doença na faixa etária pediátrica. Os índices de mortalidade entre crianças com câncer são três vezes mais altos na América Latina que na Europa. “Temos ainda muito que avançar. Melhoramos em tecnologia de diagnóstico, mas precisamos avançar no tratamento”, explicou.

Segundo Karla Rodrigues, vários fatores contribuem para o sucesso do tratamento do câncer, como o diagnóstico precoce, que influencia na cura, na diminuição da mortalidade e também de qualidade de vida.  “Do retinoblastoma [tumor no olho], por exemplo, chegam casos avançados. Quando a doença é diagnosticada precocemente, é possível salvar não apenas a vida da criança, mas também a visão”, afirma.

Para que o diagnóstico seja precoce, é importante que os pais e responsáveis fiquem atentos a sintomas como febre, dor de cabeça, perda de apetite, palidez, dor no corpo, caroços ou sangramentos. “Os sintomas do câncer se assemelham aos de doenças comuns da infância. Então, vale a pena ficar atento e observar se eles persistem, se estão se agravando ou evoluindo rapidamente. Além disso, é importante perceber se esses sintomas estão prejudicando a vida da criança, se ela deixa de fazer as atividades de que gosta”, explica a pesquisadora.

Exposição

As crianças e adolescentes serão presenteados com as fotografias. No dia 21 de novembro, às 15h, será inaugurada a exposição do projeto, no Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1.201, Centro). As imagens permanecerão expostas por um mês.

(Larissa Rodrigues / Assessoria de Comunicação da Faculdade de Medicina)

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