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Fórum de Cultura Científica discute relação das mídias sociais com a divulgação da ciência

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Vice-reitora Sandra Almeida (ao centro) abre o Fórum de Cultura Científica. - Foto: Bruna Vieira

Celebração: Foi esse clima que marcou a abertura do V Fórum de Cultura Científica da UFMG, no ano em que a Universidade comemora seus 90 anos e recebe a 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). As atividades aconteceram na tarde de ontem no Auditório 1 da Faculdade de Ciências Econômicas no campus Pampulha da UFMG. “Temos muito que celebrar. A última vez que a SBPC esteve na UFMG foi em 1997, e agora ela retorna como parte das nossas comemorações. Faremos discussões a respeito do momento em que vivemos e dos papéis da educação, ciência e cultura para o país. É uma ótima oportunidade de continuar as discussões realizadas hoje”, explicou a vice-reitora Sandra Almeida Goulart na abertura do evento. Na ocasião, também participaram da mesa inicial a pró-reitora de Extensão Benigna Maria de Oliveira e da professora Silvania Nascimento, titular da Diretoria de Divulgação Científica.

A pró-reitora de Extensão Benigna Maria de Oliveira trouxe um breve panorama das edições anteriores do fórum. “Essa iniciativa surgiu em 2015 a partir de uma proposta de professores e servidores técnico-administrativos que trabalhavam com cultura científica em diversas instâncias da instituição. Desde então, o fórum tem trabalhado em uma perspectiva de democratização da produção e acesso à ciência. Felizmente, percebemos que temos avançado muito e apresentamos resultados concretos nesses anos”, concluiu.

Abordagem jovem da ciência

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Brunah Schall apresentou a proposta do Fórum Jovem do Cultura Científica. - Foto: Bruna Vieira

No segundo momento, foi lançado o Fórum Jovem de Cultura Científica, espaço de discussão sobre ciência, academia e sociedade com intensa atuação de estudantes de graduação e pós-graduação. Participaram o professor Bernardo Jefferson de Oliveira, da Faculdade de Educação, e a doutoranda em Sociologia Brunah Schall. “A ideia é que ele seja organizado e se volte para questões estudantis. Queremos um fórum horizontal e propositivo e que, ao final, surjam soluções para os problemas levantados por nós”, contou Bruna. “Convidaremos os professores para algumas das nossas reuniões, de forma pontual”, mencionou a doutoranda, que aproveitou para convidar os jovens presentes para compor a comissão do fórum.

Em tempos de Internet

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Projetos que envolvem mídias sociais foram destacados durante o evento. - Foto: Bruna Vieira

O evento também foi marcado por debates sobre a relação dos bloggers, youtubers e demais canais online com a divulgação científica e reuniu os ex-alunos do curso de Física Vinicius Marangon e Lucas Mitre, idealizadores do canal online Cura Quântica: Ciência com Descontração e Simplicidade, Jean Gomes de Oliveira, estudante do curso Química Tecnológica e criador do blog Saber Atualizado, além do pró-reitor de Assuntos Estudantis Tarcísio Mauro Vago, representante do Programa Pensar a Educação, Pensar o Brasil, para relatar a experiências em seus projetos.

Para Jean, o foco da divulgação científica deve, mais do que nunca, se desprender da instituição e se centrar nas redes sociais. “Enquanto a ciência fica isolada na universidade, há pessoas no Brasil que não sabem a diferença entre um remédio genérico e um de marca. Questões fundamentais como a nutrição não são enfocadas nas escolas, onde quase ninguém consegue identificar o que difere uma proteína de um carboidrato. A desinformação no nosso país é muito grande”, evidenciou o blogueiro, que contou os motivos que o levaram a criar um blog com a abordagem. “Como sempre gostei muito de malhar, fui pesquisar e senti falta de informações relacionadas a suplementos alimentares. Notei que não havia muita informação sobre o assunto”, comentou.

Já Vinicius, do canal do Youtube Cura Quântica, destacou a importância de prezar por informações científicas corretas e utilizar as melhores fontes possíveis quando se decide trabalhar com divulgação científica. “Seguimos algumas diretrizes específicas como ter muita certeza de quem são nossas fontes. Não ficamos só no Wikipedia”, brincou. A ideia de criar um canal conjunto para falar de ciência de modo descontraído veio das relações dentro da universidade. “Eu e o Lucas bebíamos de fontes de informação internacionais e tínhamos vontade de trazer uma abordagem científica diferente da tradicional do nosso país. Partimos da ideia de fazer diferente e criamos nosso canal, que brinca para fisgar a atenção das pessoas que pesquisam sobre o tema na Internet”.

Ao falar do programa de extensão Pensar a Educação, Pensar o Brasil (PEPB), o professor Tarcísio Mauro Vago contou as motivações para desenvolver a ação, que começou em 2007 e se espalhou por todo o país nos anos seguintes. “Uma questão central nos incomodava: Pensando no âmbito da educação, quem fala sobre ela no nosso país? Percebemos que quem menos falava sobre o tema para o grande público eram justamente as pessoas que trabalham com ele, como professores e estudantes. Logo, por que não falarmos sobre nosso ofícios, esperanças, questionamentos e métodos?”, dividiu.

O coordenador do programa ainda numerou as diversas ações do PEPB, que conta com seminários, coleção de livros, jornal, revista, blog, portais, redes sociais, núcleo de vídeos sobre educação, observatório da comunicação pública relacionada à pesquisa em educação e um projeto de pesquisa. “Nosso intuito sempre foi propor reflexões sobre um dos grandes desafios atuais: A educação pública, que é um dos pilares fundamentais da sociedade. É hora de pensar o potencial que temos para pensar nosso país, nossas relações, o que queremos para nós mesmos nesse momento difícil e sombrio que estamos atravessando”, finalizou.

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Público atento prestigia a discussão - Foto: Bruna Vieira

Após as apresentações, o público pôde fazer perguntas e comentários aos palestrantes. Temas como a relação dos youtubers e blogueiro com o público e a humanização do trabalho científico permearam o espaço de discussões.

Confira a cobertura fotográfica aqui.

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