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Seminário discute Extensão nos 50 anos do Cedeplar

Um seminário na Faculdade de Ciências Econômicas (Face) reuniu, nesta quinta-feira, 1 de junho, membros da Proex, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) e do Centro de Extensão da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) para debater e compartilhar experiências de extensão já realizadas e em curso no Cedeplar e na Face. Questões-chave como a importância da extensão na Universidade e com a sociedade, assim como os principais desafios e dificuldades, foram os  temas que permearam as discussões.

O papel formador da extensão

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Mesa ‘A extensão na universidade e o seu papel formador' girou em torno de aspectos conceituais e práticos extensão. - Foto: Zirlene Lemos

Na mesa ‘A extensão na universidade e o seu papel formador’, o debate trouxe reflexões de aspectos conceituais e práticos das atividades de extensão desenvolvidas na Face. A ocasião contou com a presença dos professores Benigna Maria de Oliveira, pró-reitora de Extensão, Lizia de Figueiredo, do Centro de Extensão da Face, e João Antônio de Paula, que relatou como sua trajetória se imbrica com a extensão e o próprio Cedeplar. A coordenação ficou por conta do professor Anderson Cavalcante, também do Cedeplar.

Em sua fala a pró-reitora evidenciou  a cultura da extensão na UFMG. “A nossa universidade tem uma cultura sólida na extensão universitária. Nós acreditamos que em conjunto com outros eixos, como o ensino e a pesquisa, ela se torna cada vez mais consistente”, compartilhou. “É preciso pensá-la sempre por uma perspectiva transformadora para os docentes, discentes e a sociedade”.

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Pró-reitora de Extensão mostrou resultados do trabalho na Proex. - Foto: Zirlene Lemos

A pró-reitora também falou sobre o edital formação em extensão aprovado em 2016 e sobre o trabalho em parceria com a Diretoria de Avaliação da Extensão (Daext) do  mapeamento de todas ações de extensão creditadas e passíveis de creditação, além de mostrar o perfil das ações de extensão desenvolvidas na unidade acadêmica e atualmente registradas no Siex (Sistema de Informação da Extensão). Outros aspectos citados por Benigna foram os desafios atuais da Proex e o trabalho em redes. Atualmente a Proex congrega cinco redes que buscam reunir e articular grupos, laboratórios e núcleos de extensão, ensino e pesquisa da UFMG em diálogo com outros atores da sociedade.

Em seguida o  professor João Antônio de Paula, que já foi pró-reitor de Extensão e integra o Cedeplar há quase 50 anos, discutiu aspectos conceituais e históricos. “A ideia de uma universidade fora dos muros surgiu na segunda metade do século XIX, em Cambridge e Oxford, na Inglaterra. É importante chamar atenção para o fato de que essas iniciativas antigas não pretendiam formar alguém com a perspectiva de treinamento ou adestramento, mas ampliar os horizontes de referências dos indivíduos. A extensão nasce já com esse propósito importante de alargar o conhecimento cultural dos participantes", explicou.

Para ele, uma nova fase da extensão no país se desenvolveu na década de 50, com a presença do educador e filósofo Paulo Freire. “O modo como Paulo encarou a educação foi inovador, já que o pedagogo a via como algo construído mutuamente, contradizendo a ideia clássica da uma transposição de informações do professor para o aluno. Como ele deixa claro, as pessoas não levam conhecimento às outras, mas criam o conhecimento em conjunto”, disse.

Fechando a roda de conversa, a professora Lizia de Figueiredo, coordenadora do Cenex da Face explorou os paradoxos e dificuldades encontrados no dia-a-dia da extensão na unidade acadêmica.

A extensão no Cedeplar

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Segunda mesa-redonda enfocou experiências extensionistas no Cedeplar. - Foto: Helvio Caldeira

As experiências de extensão no Cedeplar foram exploradas na segunda mesa do seminário, que contou com a participação de professores e de estudantes de pós-graduação. Participaram as professoras Laura Wong (projeto cooperação horizontal Brasil-Afeganistão), Sulma Cuervo, (trajetórias de vida e trajetórias migratórias em Minas Gerais),  Ana Flavia Machado, (economia e cultura: o Espaço do Conhecimento UFMG), Roberto Luís de Melo Monte-Mór (planejamento metropolitano e outras economias: qual o lugar da universidade?) e do professor Mario Marcos Rodarte (educação e economia além da universidade). A roda de conversa foi mediada pela professora Sibelle Diniz, membro do Cedeplar.

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Laura Wong [foto] professora do Departamento de Demografia, apresentou a experiência do projeto cooperação horizontal Brasil-Afeganistão e detalhou as ações desenvolvidas. “Trata-se de um país muito pobre, com poucos recursos. A partir dos dados que tínhamos em mãos, fizemos uma espécie de workshop para que a população pudesse tentar monitorar situações problemáticas envolvendo a demografia dessa nação”.

Na mesma linha, Sulma dividiu com o público parte do que foi realizado no projeto trajetórias de vida e trajetórias migratórias em Minas Gerais, desenvolvido na Colômbia. “É fundamental trabalharmos em rede e conhecermos bem os territórios alcançados por nossas atividades. Dessa forma, aprendemos muito mais como instituição que gera e compartilha conhecimento”, disse.

Em sua fala a professora Ana Flávia apresentou a extensão no Espaço do Conhecimento. “Nosso museu é um laboratório para professores, alunos e técnico-administrativos desenvolverem suas iniciativas, aberto à população que acaba não se integrando formalmente à nossa universidade”. Ela acrescentou ainda que o espaço também  trata as ciências sofisticadas como a física e a astrofísica e atende a um público bastante diversificado,  que vai dos quatro anos até pessoas com mais idade.

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Ana Flávia falou do Espaço do Conhecimento, museu de divulgação científica da UFMG. - Foto: Helvio Caldeira

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O professor Roberto Luís de Melo Monte-Mór apresentou o 'planejamento metropolitano e outras economias' - Foto: Zirlene Lemos

Para Roberto Luís de Melo Monte-Mór, do projeto planejamento metropolitano, o diferencial está em ressignificar a qualidade do ambiente urbano. “Dentro do plano metropolitano temos várias programas, como o LUMES: Lugares de Urbanidade Metropolitana, que diz respeito à implantação de locais destinados à participação social. Temos em mente o objetivo de reestruturar nossa região metropolitana e discutir sua qualidade, fomentando a ideia um espaço diverso, criativo e que dialoga com outros setores”, reforçou.

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Mario Rodarte e André Martins do projeto Economia sem limites - Foto: Zirlene Lemos

Por fim Anddré Dutra Martins falaram sobre o projeto economia sem limites. A iniciativa, que aborda questões econômicas em escolas públicas de Belo Horizonte, está centrada em reuniões diferenciadas com alunos do ensino médio, como explicou André. “Trabalhamos com horários cedidos por professores. Discutimos não só economia, mas a atrelamos a outras áreas como a ética e os direitos humanos. Fazemos questão de tratar de temáticas importantes como a intolerância às diferenças”.

No entanto o estudante apontou dificuldades enfrentadas no projeto. “Ainda é um desafio mobilizar a comunidade acadêmica e isso também dificulta muito o nosso planejamento”, lamentou.

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Projeto Cariúnas finalizou tarde de discussões com apresentação musical. - Foto: Zirlene Lemos

Após a mesa foi aberta rodada de perguntas com participação do público. O evento foi finalizado com o grupo de choro Cariúnas, projeto de extensão da Escola de Música da UFMG´. No repertório releituras de composições de Pixinguinha e Ary Barroso, entre outros.

Confira a cobertura fotográfica aqui

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