Apresentação

A antropologia em geral, e a arqueologia e a antropologia social em particular, são disciplinas que se constituíram cientificamente na virada do século XIX para o XX e que, ao longo do último século, se desenvolveram nos principais centros de excelência acadêmica mundiais, sendo oferecidas formações graduadas e pós-graduadas nestas áreas em boa parte dos países do mundo.

No Brasil, a antropologia social é uma área que se encontra consolidada em termos de formação pós-graduada, e que se encontra presente em muitos cursos de graduação do país, notadamente nos de Ciências Sociais.

Quanto a arqueologia, houve no Brasil, até há pouco tempo, um curso de graduação nessa área (já extinto e que funcionava numa faculdade privada, a Estácio de Sá, do Rio de Janeiro), e nos últimos anos foram criados alguns poucos curso de graduação na área (sobretudo em faculdades privadas, como é o caso da Universidade Católica de Goiás), o que faz com que o ensino graduado em arqueologia praticamente ainda inexista no país.

Um aspecto de fundamental relevância concerne o fato de que o Brasil, pelas suas características históricas e culturais, possui um considerável potencial para o desenvolvimento de estudos arqueológicos e antropológicos.

Nos últimos tempos, o aumento da preocupação com a preservação do ambiente e do patrimônio cultural, material ou imaterial, a crescente relevância dos movimentos étnicos e culturais os mais diversos (como os que reivindicam terras para índios e quilombolas, para barrageiros, sem-terras e outros sem-teto, ou os que reivindicam cotas para negros, índios e pobres, descriminalização do aborto e do uso de drogas, criminalização da homofobia, do racismo, da violência sexual e da violência doméstica, entre inúmeros outros) e o debate público em torno de espinhosos problemas culturais (como os que envolvem garantia de desenvolvimento econômico, político e social e preservação dos patrimônios culturais e ambientais, liberdade de crença religiosa e livre exercício da ciência, oportunidades iguais para todos e respeito às diferenças), têm feito crescer consideravelmente a demanda por formação profissional nestas áreas.