O tema Traduções é ao mesmo tempo conceito e justificativa do Festival, pois busca revelar uma dimensão indispensável da arte contemporânea: como a multiplicidade de temas, de formas e linguagens é definitivamente instalada no universo da arte, torna-se indispensável o trabalho de articulação de todas elas entre si, buscando uma potência significativa para a manifestação artística. Assim, a necessidade de estabelecer meios de interação evoca a idéia de traduções, cada vez mais presentes também no universo contemporâneo do multiculturalismo e da pluralidade. O Festival se realiza novamente como espaço e momento de tradução de uma série de elementos, forças, necessidades e desejos, individuais e coletivos, em uma época marcada por um crescente pragmatismo, uma supervalorização científica e uma aparente perda de sentido das realizações humanas não-produtivas.
Dentro das possibilidades do tema Traduções, podemos destacar a necessária articulação entre duas visões de mundo: a arte e a ciência. Muitos autores já refletiram sobre as proximidades, as diferenças e as (as)simetrias entre ciência e arte, constitutivas de nossa cultura ocidental. Tais discussões remontam a Aristóteles, Leonardo da Vinci, William Blake, Johann Wolfgang von Goethe, Vitor Hugo, Hermann von Helmholtz, Thomas Huxley e Werner Heisenberg, entre muitos outros. Vitor Hugo, por exemplo, ressaltava o caráter absoluto da arte e o caráter relativo da ciência. Considerava, com o espírito do Oitocentos, que a primeira não conhece a idéia de progresso enquanto este conceito caracteriza a segunda. Para ele, é da natureza da ciência negar tudo, tudo destruir, tudo recriar. O progresso como gerador da ciência, e o ideal como gerador da arte. Um cientista procura jeito de esquecer outro; um poeta não faz esquecer um poeta.
Mais recentemente, reconhecendo similaridades, mas apontando também assimetrias, Jean-Marc Lévy-Leblond, físico e epistemólogo, afirma que à ciência falta um componente essencial comum a toda atividade artística e cultural: a dimensão crítica. A ciência, no seu ritmo cada vez mais rápido de publicações, teria pouco tempo para a reflexão crítica interna. Uma etapa crucial da atividade criativa, o movimento de recuo, o tempo do olhar que permite perceber a obra no seu conjunto estaria ausente na ciência contemporânea.
Colocadas essas questões, fica ainda a pergunta: como estabelecer a ponte entre essas possibilidades? Como estabelecer o meio de conexão entre duas ou mais visões de mundo, ambas validadas por seus estatutos internos? Como viabilizar o diálogo entre culturas e experiências em busca de uma significação coletiva? Assim surge o tema do 41º Festival de Inverno da UFMG: TRADUÇÕES.
Perspectivas da Cultura em um Cenário de Transformações
Duas preocupações básicas devem dominar este Seminário. Por um lado, a reflexão sobre o futuro dos Festivais Universitários de arte e cultura. Essa reflexão aponta necessariamente para a discussão sobre os caminhos a serem seguidos num cenário que induz o questionamento sobre o possível esgotamento de um formato tradicional, oriundo do modelo inaugurado pela própria UFMG na segunda metade da década de 1960. Esse questionamento é suscitado, basicamente, por dois elementos: primeiro, a percepção da crescente dificuldade em se viabilizar a realização de um Festival naqueles moldes; segundo, a verificação de que, a despeito das dificuldades, continua ocorrendo o crescimento numérico do modelo, com a repetição da fórmula ao redor do Estado e do País.
Por outro lado, a idéia de que, em meio a uma crise global, cresce a necessidade de se discutir qual é a importância e a viabilidade da realização de eventos culturais que não trilham os caminhos apontados pelo mercado e não se alinham com a tendência geral de igualar cultura e entretenimento.
Veja abaixo as datas e horários relativos ao Seminário Perspectivas da Cultura em um Cenário de Transformações. Para informações sobre as oficinas e cursos, acesse o menu lateral Oficinas e Cursos.
9h30 às 10h | Recepção e credenciamento
10h às 11h | Sessão de abertura
Ronaldo Tadêu Pena – Reitor da UFMG
Heloísa Maria Murgel Starling – Vice-Reitora da UFMG
Paulo Brant – Secretário de Estado da Cultura de Minas Gerais
Geraldo da Silva Macedo – Prefeito de Diamantina
Maurício Campomori – Diretor de Ação Cultural da UFMG
Fabrício Fernandino – Curador do 41º Festival de Inverno/UFMG
11h às 12h | Palestra Horizontes da Cultura em Minas Gerais – Paulo Brant
12h às 14h | Almoço
14h às 15h45
Festivais de Inverno - Do surgimento à atualidade
Expositores:
José Adolfo Moura
Júlio Márcio Varella Caldeira
Fabrício Fernandino
Mediador: Evandro Lemos da Cunha – UFMG
15h45 às 16h15 | Intervalo
16h15 às 18h
A Cultura do Patrocínio
Expositores:
Cecília Bhering – CEMIG
Jota Dângelo – BDMG
Maria Helena Cunha – DUO Informação e Cultura
Mediador: Márcio Ziviani – FUNDEP/UFMG
9h às 12h
O Cenário em Transformação – Contribuições e Perspectivas
Expositores:
Chico Pelúcio – Grupo Galpão
Ernani Maletta – UFMG
Fabrício Fernandino – UFMG
Guiomar de Grammont – IFAC/UFOP
João Antônio de Paula – UFMG
Wander Melo Miranda - UFMG
Mediador: Maurício Campomori – UFMG
Público-alvo: artistas, produtores culturais e interessados na área de cultura
Vagas: 50
Período: 20 e 21 de julho
Horário: 9h30 às 12h e 14h às 18h (dia 20) e 9h às 12h (dia 21)
Organização e Realização Diretoria de Ação Cultural (DAC/UFMG)
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